Lucíola

Na melhor tradição romântica, Lucíola é um livro onde se debatem paixões tórridas e contraditórias. O amor que não resiste às barreiras sociais e morais. Assim é o romance da bela Lúcia, a mais rica e cobiçada cortesã do Rio de Janeiro, e Paulo, um jovem modesto e frágil. Um romance que sacode a corte e provoca um excitado burburinho na sociedade. De um lado a mulher que, sendo de todos, jurava não prender-se a nenhum homem, de outro o homem em dúvida entre o amor e o preconceito.José de Alencar utiliza este instigante argumento para descrever a enorme atração física entre um homem e uma mulher. A pena moralizadora do escritor busca a idealização espiritual da prostituta que quer se modificar e a alma pura de Paulo cuja amor arrebatador supera todas as barreiras. Lucíola é um dos mais curiosos trabalhos de José de Alencar. Há nele um clima de sensualidade constante combinado com o ardor e sofrimento, bem no clima da literatura romântica que predominava na segunda metade do século passado quando foi escrito este romance.

1)É um romance romântico-urbano publicado em 1862. Um dos eixos centrais da narrativa é “saber se uma mulher de vida prostituída tem sentimentos honestos, tem pureza suficiente para ser feliz e viver um grande amor” Esta declaração reflete o caráter conservador, machista, patriarcal e religioso da sociedade carioca no 2º Império. Após a publicação o livro gerou alguns debates sobre prostituição social. Chama-se social quando uma pessoa é levada a praticá-la sem vontade própria. Mas para uma sociedade machista, monárquica e conservadora, a mulher ainda é séria, escrava, esposa, totalmente obediente às leis masculinas.

2) Será que a sociedade machista vê Lucíola como uma heroína que vende seu corpo para salvar à família? Ou a vê apenas como uma devassa nos prazeres do libido? Só que para conseguir o dinheiro necessário ela não poderia ser uma prostituta comum. Deveria ser uma cocote (prostituta de modelo francês, escolada na arte da sedução – uma ninfa, uma das deusas de Baco.)

3) Alencar tem seus defeitos: machista, prepotente, coronelista, moralista, patriarcal e conservador. Mas sua obra permite algumas comparações: Lucíola e Iracema se opõe. Iracema traiu a família, traiu sua raça, foi egoísta e pensou em si mesma. Lucíola se traiu para preservar a família. Iracema não tinha consciência crítica de seus atos, Lucíola sim. Quando ela sobe à mesa durante o jantar e se propõe a ser o prato principal diante de todos os presentes, ela tinha consciência do que estava fazendo e como estava ferida no seu orgulho ela quis mostrar o Paulo o seu poder de sedução e a sua independência.

4) Como todo romance urbano de costumes da época romântica, o espaço onde as ações se desenvolvem é o Rio de Janeiro, a corte. Ali vive uma família real de costumes europeus. As damas da corte se vestem à européia, são perfeitas como acompanhantes e vivem para seduzir. Lúcia ( ex- Maria da Glória), segue esse parâmetro: ela é uma dama cortesã, assume ares de mulher fatal enquanto objeto de prazer. Mas quer preservar dentro de si a inocência da Maria da Glória que nunca se apaixonou por ninguém.

5) É interessante observar que Maria da Glória nasceu no dia 15 de agosto. Dia de Nossa Senhora da Glória. Alencar chamou-a de Musa Cristã dizendo “Ela vive brilhando a pó com os olhos no céu”, vive no meio da degradação, mas mantendo um estado de santidade. Como a obra é romântica Alencar trata a prostituição de Lucíola como um vestibular para a santificação. Por causa disto surgem dois eixos: Lucíola é o objeto social de prazer; Paulo é o objeto individual de purificação. Nesta visão, Paulo também como personagem romântico, cheio de defeitos, tem que passar por um processo de purificação para merecer o perdão dela. Paulo se torna um homem digno de Lúcia quando ela pressente a morte e pede que ele se case com a irmã dela, e ele responde ser impossível por gostar dela.

6) A família de Lúcia não participa diretamente do drama da personagem central, porque o romance é romântico e seria uma dor insuportável aceitar uma filha prostituída por necessidade. Como o romance quer mostrar que todas as Lucíolas merecem ser felizes, Alencar transforma a narrativa numa metáfora lírica. Lucíola é nome de um inseto portador de luz uma espécie de vaga-lume que vive nos pântanos seria a podre sociedade carioca da corte.

7) O romance apresenta o seguinte esquema: Existe um autor real chamado José de Alencar Existe um autor fictício chamado Senhora G.M. que mandou as cartas. E existe um narrador personagem Paulo. Como a narrativa é em 1ª Pessoa, Lucíola é a protagonista, ele narrador, antagonista; A história entre os dois durou 6 meses e é narrada por ele. Logo é uma narração unilateral, não sabemos o que ela, Lucíola, teria a dizer já que Paulo é narrador onisciente, testemunha e cúmplice. O filho de ambos morre, Lucíola morre, mas morreu buscando a perfeição e a dignidade humana. Iracema também morreu, mas o filho vive.

8) O eixo central da narrativa é Paulo e Lucíola, mas este universo dramático é composto por:

Couto

Jacinto
Cunha
Paulo e Lucíola
Laura e Nina
Jesuína
Rochinha
Ana

Lucíola simboliza a dualidade, convivem dentro dela a pureza da Maria da Glória e o demônio de Lucíola. Tem uma personalidade complexa, ela é o resultado da teoria do bom selvagem: “O homem nasce bom e a sociedade o corrompe”. Para resgatar esse lado bom, puro e inocente que existe em Maria da Glória, só mesmo o amor.

Paulo também representa a duplicidade. Ele é fruto de uma sociedade machista, mascarada pelo mundo das aparências. Lucíola desenvolve nele o caminho da purificação.

Sá e Cunha representa a pseudomoral burguesa, precem conselheiros da corte. Mas nas festas noturnas tiram a máscara e são devassos.

Couto e Rochinha estão quase no mesmo plano. Couto lembra coito, é um velho metido a jovem conquistador. Rochinha é um jovem totalmente velho aos 17 anos e vive as caças de prazeres fáceis.

Laura e Nina são duas prostitutas companheiras de Lucíola, mas não têm drama de consciência.

Jesuína e Jacinto vivem da prostituição. Foi ela que iniciou Lucíola na profissão e ele seria o contabilista de Lucíola, vendendo os presentes que ela ganha e entregando-lhe o dinheiro.

Ana é irmã de Lúcia. Ela é a própria Maria da Glória que vive dentro de Lúcia. Ela é o que Lúcia gostaria de ser, chama-se projeção de personalidade.

9) Neste romance o amor carnal vai se diluindo e buscando uma pureza que só se encontra nos amores românticos. Quando Lúcia e Paulo abandonam a cidade, a ostentação e vão morar em uma casinha afastada de tudo em contato da natureza, estão valorizando o ideal romântico.

10) É um texto moralista que aborda a hipocrisia social, revela o prazer pelas aparências e mostra que o homem é a sede da corrupção moral. Lucíola viveu de fachada, de ostentação, mas tentando cada dia encontrar a pureza de Maria da Glória, como não podia recuperá-la projetou-a na própria irmã.

One Response to “Lucíola”

  1. Marine disse:

    Uma porcaria eu quiria um resumo das partes prinsipais e naum de detales

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